residência artística

Programa de Residências Artísticas MZMV

Programa de Residências Artísticas 2025-2026 na Estação Cultural do Mosteiro Zen Morro da Vargem

SONHAR FLORESTA

O Programa de Residências do Mosteiro Zen Morro da Vargem, ciclo 2025-2026, partiu da proposição “sonhar floresta” para convidar artistas a se relacionarem com o cotidiano do Mosteiro Zen e a habitarem a casa da Estação Cultural com seus trabalhos e pesquisas. Cada residência é moldada pela pessoa que a ocupa: é a sua pesquisa e o seu modo de existir que transformam a casa e o programa em um espaço de livre pensamento, prática e habitar.

O projeto curatorial propôs, nesta edição, uma reflexão coletiva a partir de uma composição/constelação dialógica entre artistas tão diversos quanto Luciano Feijão, Kika Carvalho, Karola Braga, Sheyla Ayo, Victor Gonçalves e Polliana Dalla Barba. 

Suas pesquisas atravessam diferentes modos de atenção ao mundo: do desenho como gesto de reescrita das narrativas sobre o corpo negro, ao azul como campo simbólico que convoca memória e história na diáspora atlântica; do cheiro como linguagem sensorial e política capaz de ativar memórias e experiências, às práticas que entrelaçam espiritualidade afro-brasileira, corpo e natureza como territórios de cura. Outras investigações se voltam para as relações entre técnica, falha e mundo construído, explorando a tensão entre tecnologia e natureza através de dispositivos e mecanismos experimentais. Há também práticas que se orientam pela caminhada, pela deriva e pela cartografia sensível do território, onde a paisagem, o deslocamento e o imprevisível tornam-se método e narrativa.

Na residência coletiva, com Ambuá, Ana Luzes, Lucas Cardoso, Rick Rodrigues e Juliana Gontijo, assumimos uma dinâmica distinta das individuais, profundamente atravessada pelas relações entre o eu e o comum. A partilha torna-se central: no preparo cotidiano dos alimentos, nas atividades propostas em grupo, na troca de referências, métodos e técnicas, nas caminhadas e em tantas outras experiências que constituem o convívio.

Nessas experiências, sonhamos floresta. Às vezes, pela incapacidade de nela estar, cada vez mais imersos em um mundo construído por mãos e mentes humanas, agressivamente dissociado do seu índice criador. Mas também “sonhamos floresta” como devaneio, desejo, fuga e utopia. Descobrimos como é prazeroso retomar o tempo com as mãos, olhar demoradamente para a paisagem e perceber que nada ali é estático. Aprender com essas experiências é, também, incorporar o estado de residência como modo de estar na vida.

Neste programa, não há qualquer obrigação de produção de objetos ou atividades finalizadas. A provocação é justamente esta: compreender o convívio como espaço de aprendizagem, investigação e deriva. Habitar um tempo suspenso de finalidades externas, abrindo espaço para experimentações, erros e incertezas. Sonhar como estratégia especulativa, crítica, consciente.

Construir um programa curatorial a partir de pesquisas tão diversas significa acompanhar de forma profunda a prática de cada artista e observar seus modos de estar no mundo. A partir desse encontro de singularidades, convoca-se uma construção coletiva: cada pessoa traz sua peça para um quebra-cabeça-discussão, fazendo da residência um lugar de atravessamento de vivências e partilhas com a equipe, o público e o território.

Para além das residências, diversas atividades foram realizadas com grupos de visitantes esporádicos e recorrentes do Mosteiro: visitas, oficinas, imersões e encontros propostos por mim, residentes e colaboradores que expandiram a reflexão em curso: partilha de métodos criativos, arte ao redor do cinema e da comida, deslocando o debate estético para outros devires e mantendo-o sempre em diálogo com a vida.

Deixo aqui meus (nossos)  agradecimentos – imensos – pela parceria, confiança, carinho e aprendizados: Luciano Feijão, Kika Carvalho, Karola Braga, Sheyla Ano, Victor Gonçalves, Polliana Dalla, Juliana Gontijo, Ambuá, Lucas Cardoso, Rick Rodrigues, Ana Luzes, Gabriel Albuquerque, Larissa Godoy, Felipe Gomes, Matheus Costa e Vitor Nogueira, com o desejo de que este seja apenas mais um entre muitos encontros que ainda viveremos juntes.

À EDP, à LICC e à Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, por viabilizarem a existência deste e outros projetos que insistem em questionar o estado das coisas, e ao Mosteiro Zen Morro da Vargem pela acolhida deste grupo e dessas discussões.

 

Clara Sampaio

Curadora

Período de realização 01.ago - 31.mar.2026

Ficha Técnica

COORDENAÇÃO GERAL E CURADORIA

Clara Sampaio

ARTISTAS PARTICIPANTES

Luciano Feijão Kika Carvalho Karola Braga Ambuá, Ana Luzes, Lucas Cardoso e Rick Rodrigues Victor Gonçalves Polliana Dalla Barba Sheyla Ayo

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO

Géssica Bossanelli

PRODUÇÃO EXECUTIVA

Tiago Zago

DESIGN GRÁFICO E IDENTIDADE VISUAL

Felipe Gomes Julia Ramos Brito

CURADORA CONVIDADA

Juliana Gontijo

CONVIDADOS PROGRAMA PÚBLICO

Gabriel Albuquerque Larissa Godoy Thais Hilal Daniel Hora Cláudia França Almerinda Lopes

ASSESSORIA DE IMPRENSA

Giuliano de Miranda

REDES SOCIAIS

Savya Alana de Oliveira

FOTOGRAFIA

Vitor Nogueira

VÍDEOS

Matheus Costa

ORGANIZAÇÃO

Mosteiro Zen Morro da Vargem - MZMV Coordenação Monge Daiju Bitti Monge Kendo Bitti Administração Jeferson Bromonschenkel Machado Yuri Campos

FINANCIAMENTO

Realizado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC, Governo do Estado do Espírito Santo) com patrocínio da EDP.